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Rede que cria pontes: quando parcerias fortalecem territórios e ampliam impacto

Nenhum território se sustenta sozinho. Nenhuma organização gera impacto real operando em isolamento. Quando falamos de mobilidade socioeconômica no Brasil, falamos, antes de tudo, de pontes: entre setores, pessoas, recursos e saberes que já existem nos territórios.

É nesse encontro que o impacto ganha escala, permanência e sentido.

Conectar setores para enfrentar desafios complexos

Os desafios sociais brasileiros atravessam fronteiras institucionais. Educação, geração de renda, esporte, inclusão socioprodutiva e qualidade de vida não cabem em um único setor.

É por isso que a articulação entre o Primeiro Setor (poder público), o Segundo Setor (empresas) e o Terceiro Setor (organizações da sociedade civil) deixou de ser desejável para se tornar necessária, já que:

  • O Poder Público aporta políticas e estrutura;
  • O Setor Privado mobiliza recursos, inovação e capacidade de gestão;
  • O Terceiro Setor carrega o conhecimento do território, as relações de confiança e a escuta ativa de quem está na ponta.

Quando esses três campos se encontram, surgem soluções mais conectadas à realidade e menos dependentes de ações isoladas ou pontuais.

O Terceiro Setor como rede, não como ilha

Os dados reforçam essa leitura. O Censo GIFE 2024–2025, principal levantamento sobre o Investimento Social Privado (ISP) no Brasil, mostra um campo diverso, em expansão e cada vez mais orientado à colaboração.

Esse movimento dialoga com o trabalho de organizações e redes como o próprio GIFE (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas), o IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social) e a Comunitas, que atuam no fortalecimento do ecossistema do investimento social privado, promovendo conexões entre empresas, institutos, organizações da sociedade civil e poder público.

Em 2024, as organizações respondentes do Censo mobilizaram R$ 5,8 bilhões em investimento social privado, o segundo maior volume da série histórica. Mais do que o montante, chama atenção o crescimento da atuação em rede e da presença territorial: o ISP esteve presente em todas as regiões do país, com aumento significativo de atuação no Norte e no Nordeste.

Fonte: Censo GIFE 2024 | 2025

Outro dado relevante é o fortalecimento do grantmaking e do apoio a organizações da sociedade civil, uma estratégia de repasse estruturado de recursos financeiros para iniciativas já existentes, em vez de criar projetos do zero, potencializando o impacto social por meio do suporte a quem já tem experiência, repertório e vínculos nos territórios. Essa abordagem reconhece que quem já atua nos territórios possui legitimidade e relações construídas ao longo do tempo, e amplia a capacidade de resposta às demandas locais.

Iniciativas como o BISC (Benchmarking do Investimento Social Corporativo), realizado pela Comunitas, também reforçam essa lógica ao evidenciar como empresas têm buscado alinhar investimento social, estratégia de negócio e impacto territorial de forma mais estruturada e colaborativa.

Além das articulações entre sociedade civil e setor privado, o Governo Federal também tem avançado em políticas públicas voltadas à promoção do paradesporto e da inclusão esportiva de pessoas com deficiência. A Secretaria Nacional de Paradesporto, vinculada à Secretaria Especial do Esporte, tem instituído programas como o Semear + Paradesporto, que visa democratizar e ampliar o acesso às modalidades paradesportivas para crianças e adolescentes com deficiência por meio da criação de núcleos de iniciação esportiva em todo o país. 

Essa iniciativa é uma das formas de o Estado ampliar o esporte adaptado na base e fomentar a prática esportiva como estratégia de inclusão social, com espaços de atendimento em escolas, territórios e comunidades. 

Além disso, programas como o Paradesporto Brasil em Rede (implementado em parceria com instituições acadêmicas) e as ações da Secretaria Nacional de Paradesporto buscam consolidar uma rede de núcleos esportivos acessíveis em diversas regiões, estimulando tanto a participação comunitária quanto o desenvolvimento de talentos.

Essas políticas públicas reafirmam a importância de uma atuação integrada entre governo, sociedade civil e setor privado para efetivar o direito ao esporte e ampliar oportunidades de participação e desenvolvimento para pessoas com deficiência no Brasil.

Parcerias que partem do território

No Instituto Cury, essa leitura se traduz em estratégia. Em vez de criarmos projetos do zero, optamos por fomentar organizações e coletivos que já possuem trajetória, vínculos locais e conhecimento profundo do território.

Essa escolha parte de uma convicção simples: ampliar impacto não é substituir quem já faz, mas somar forças.

Ao apoiar iniciativas existentes, fortalecemos redes locais, ampliamos alcance e criamos condições para que soluções já testadas ganhem escala, sustentabilidade e continuidade. O território deixa de ser apenas o lugar da execução e passa a ser o ponto de partida das decisões.

Tecnologia social também é relação

Quando falamos em tecnologia social, não estamos falando apenas de metodologias ou ferramentas. Falamos de arranjos colaborativos, de formas de fazer que nascem da prática coletiva e se adaptam às realidades locais.

Parcerias entre institutos, ONGs, empresas e poder público funcionam como sistemas vivos: trocam conhecimento, compartilham riscos, distribuem responsabilidades e constroem confiança. Essa rede de apoio também é network, aprendizado contínuo e fortalecimento institucional.

O Censo GIFE mostra que grande parte das organizações do ISP atua com equipes enxutas e depende de articulações estratégicas para ampliar seu campo de ação. Trabalhar em rede não é apenas uma escolha conceitual, é uma resposta prática à complexidade do Brasil.

Pontes que sustentam um presente possível

Criar pontes é reconhecer que o impacto não acontece em linha reta. Ele se constrói no encontro entre quem financia, quem executa, quem vive o território e quem formula políticas.

Ao investir em parcerias, fortalecemos não apenas projetos, mas ecossistemas inteiros. E são nesses ecossistemas que surgem caminhos reais para a mobilidade socioeconômica, para a inclusão socioprodutiva e para um presente mais equilibrado.

Criar impacto duradouro pede mais do que boas intenções. Exige articulação, confiança e disposição para caminhar junto.
No Instituto Cury, acreditamos que fortalecer quem já está nos territórios é a forma mais consistente de ampliar oportunidades e gerar mudanças reais.

Nosso compromisso com o território passa pela escuta ativa. Estamos abertos a interlocuções com organizações que atuem na mobilidade socioeconômica para entender pontos de convergência e fortalecer nossas redes de atuação, sem prejuízo de nossos ciclos de planejamento vigentes.

Porque quando trabalhamos em rede, o impacto deixa de ser pontual e passa a ser coletivo.